A prática de bodystorming no processo de design

Uma prática muito comum durante processos de design é a criação de conhecimento por meio da técnica de Brainstorming. Esta, de acordo com Martin (2012), além de contribuir para organizar e estruturar novas ideias e conceitos, colabora para a geração de novos conhecimentos na fase de ideação. De acordo com o autor, o objetivo é comunicar ideias por meio de uma estrutura visual. Existem diversos frameworks (estruturas) possíveis para aplicação desta técnica, dentre elas: (1) teias (brainstorming web); (2) diagramas de árvore (tree diagrams); (3) diagramas de fluxo (flow diagrams). O primeiro (brainstorming web) parte de um conceito central para ideias relacionadas; o segundo (tree diagrams) costuma ser utilizado para comunicar hierarquias; e a última (flow diagrams) quando há a necessidade de apresentar o fluxo de um sistema (MARTIN, 2012).

Outro método que contribui para a visualização de informação, assim como a compreensão do fluxo de interações entre as partes envolvidas é o método de Bodystorming. Tanto a prática de brainstorming quanto de bodystorming podem ser apresentadas como métodos comportamentais, qualitativos e generativos (geração de ideias), assim como serem passíveis de adaptação de acordo com o processo de design (MARTIN, 2012). Para Martin (2012), o bodystorming busca trazer o processo do Brainstorming para a experiência física. Bodystorming surge com a mesma proposta da técnica apresentada anteriormente, inspirando os envolvidos para gerar novas ideias. Uma característica que se destaca no bodystorming é a prototipação espontânea (spontaneous prototyping) que contribui para a utilizar técnicas de improvisação durante o processo (MARTIN, 2012). O método de bodystorming pode ser utilizado para capturar experiências do mundo real e aplicar os resultados em sistemas de interação humano-computador (IHC). Pode-se aplicar o método para capturar interações para com objetos/coisas (things) e/ou ambiente. Deste modo, a prática de bodystorming pode ser útil para entender as interações que compreendem sistemas e/ou tecnologias, tais como: realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA), computação pervasiva, internet das coisas (IoT), entre outros. Em outras palavras, o bodystorming se apresenta como um método de ideação para design de interações baseadas em movimento (SEGURA; VIDAL; ROSTAMI, 2016)

Do mesmo modo que a prática de brainstorming, o método de bodystorming deve possibilitar que os participantes possam explorar novos conceitos por meio de uma atividade livre de julgamentos, cenários e propostas de design sem compromisso. (MARTIN, 2012;  SCHLEICHER; JONES; KACHUR, 2010). Schleicher, Jones e Kachur (2010) destacam que uma característica essencial do bodystorming é gerar resultados melhores e mais rápidos por meio da colaboração entre os participantes. Para os autores, a comunicação ocorre no nível da linguagem corporal.

O método de bodystorming foi adaptado e aplicado no Laboratório de Gestão do curso de Desenho Industrial da Universidade Federal de Santa Maria (fig. 01). O objetivo era apresentar uma técnica que contribuísse na compreensão e visualização de sistemas de realidade aumentada (RA). A atividade se propôs a discutir os princípios e práticas sobre tecnologias emergentes, colocando o bodystorming como uma possibilidade para a criação de cenários, nos quais os participantes pudessem pensar interações com o próprio corpo. A atividade teve participação de sete estudantes e da Prof. Dra Fabiane Vieira Romano (Desenho Industrial – UFSM), também orientadora do trabalho. Selecionado o grupo, cada participante buscava gerar alternativas que possibilitassem a interação com o objeto em cena, ou com outros participantes. Para criar cenários, um narrador buscava propor pequenas ações. Os participantes comunicavam-se entre si por meio de pequenos briefings (instruções). Dadas as instruções, ideias eram geradas e comunicadas pelo grupo em forma de gestos e movimentos pelo espaço.

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Fig.01 Workshop Bodystorming aplicado no Laboratório de Gestão

A atividade se propôs a apresentar esta técnica pouco popularizada, porém rica para gerar conceitos por meio de e para experiências interativas. É uma prática para livre associações de ideias, geração de conceitos e que pode compreender a multi e interdisciplinaridade entre design, interações humano-computador e artes da cena. Esta última pode contribuir com técnicas de improvisação, além de trazer para o processo outras qualidades da performance, do teatro e da dramaturgia. No contexto do Desenho Industrial, a atividade possibilitou a prática da teatralidade em cenários tecnológicos, e aqui a performance foi usada como uma ferramenta para o processo de design de interação.

 

Referências

MARTIN, B. Universal methods of design. Berverly, Massachusetts: Rockport: 2012.

SCHLEICHER, D.; JONES, P.; KACHUR, O. Bodystorming as embodied designing. Interactions, [s. l.], v. 17, n. 6, p. 47, 2010.

SEGURA, E. M.; VIDAL, L. T.; ROSTAMI, A. Bodystorming for Movement-Based Interaction Design. Human Technology, [s. l.], v. 12, n. 2, p. 193–251, 2016.

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Identidade Corporativa e Visual

É comum as pessoas confundirem Identidade Corporativa com Identidade Visual e vice-versa, ou também, que nem saibam ao certo o que Identidade Corporativa significa. Identidade Visual, não é e nem faz parte da essência da Identidade Corporativa.

 

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Identidade Visual

É o sistema que traduz a identidade da empresa em termos visuais: define usos para cores, símbolos, tipografia, formas e grafismos a serem usados para identificar visualmente a empresa.

“A identidade corporativa é o DNA da empresa. Por isso, e não por outro motivo, toda organização é única, diferente, irrepetível. Está escrito em seus cromossomos” – Joan Costa.

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Caso Tramontina

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Caso Coca-Cola

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Caso Santino

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Referências:

FASCIONI, Lígia. DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica. São Paulo : Integrare Editora, 2010. (Baixe o PDF aqui!)

Artigo IFIC

Para quem está pesquisando identidade corporativa

*Acessos em 25 e 28 de novembro de 2015.


Valéria G. L. Dalla Corte
Acadêmica do Curso de Desenho Industrial
Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
Contato: valeriagldc@gmail.com

Liderança: uma conduta que faz a diferença. Parte 03

Teoria Situacional de Hersey e Blanchard

Por fim, mas não menos importante chegamos a teoria moderna, a mesma se apoia nas características dos empregados para determinar como seria a melhor forma de liderar. De acordo com Hersey e Blanchard (1986) cada pessoa varia seu comportamento no trabalho, como nível de prontidão, com maiores habilidades, segurança no que estão fazendo e experiência, de acordo com isso deveriam receber um comportamento diferente do líder, do que as pessoas que não possuem essas qualidades/atributos.

Com base nesses estudos, os autores distinguem quatro tipos de liderança de acordo com o nível de prontidão de cada pessoa:

Direção – Quando as pessoas são incapazes e indispostos a trabalhar, sendo ideal focar nas tarefas. Nesta situação o chefe manda, determina o que deve ser feito, quando deve ser feito e como deve ser feito;
• Persuasão – Nesta situação a pessoa já tem um nível de prontidão moderado, tem um pouco de experiência e/ou segurança no que faz, permitindo que o líder se comporte de modo a focar não só na tarefa, mas no relacionamento com o empregado;
• Participação – O empregado/funcionário já tem mais habilidades no trabalho e o papel do líder seria o de ajuda-lo e guia-lo em suas tarefas, mas de modo participativo. Seria um líder mais focado no relacionamento do que nas tarefas;
• Delegação –Visto que as pessoas já têm um alto nível de habilidades, de segurança e iniciativa, possibilitando ao líder utilizar o estilo de delegação. Caberia ao líder dar uma meta e a autoridade correspondente, para que o empregado possa fazer seu trabalho com maior autonomia.

O Instituto Brasileiro de Coaching em seu site traz exemplos de boas e inspiradoras lideranças, vejamos:

Bill Gates

Aos 21 anos, consagrou-se um dos jovens mais bem sucedidos e empreendedores. Ao lado do amigo Paul Allen fundou a Microsoft – a mais importante e popular empresa e softwares do mundo. Foi o criador de um produto que revolucionaria a área tecnológica, o computador pessoal.

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Walt Disney

Nasceu em 1901 e faleceu muito antes de inaugurar o seu famoso parque de diversões. Sua organização é referencial mundial e tem como foco trabalhar com excelência e ir além, conquistando resultados cada vez maiores e melhores, com clientes fiéis e satisfeitos, que divulgavam a marca como se estivessem ganhando algo por isso

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Nelson Mandela

Principal representante do movimento antiapartheid, Mandela foi um guerreiro da luta pela liberdade. Entretanto para o governo sul-africano ele era um terrorista, ficou décadas preso e ainda sim se tornou ícone mundial das causas humanitárias.

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Referências:

*Acessos em 25 de novembro de 2015.


Nicolly Voigt Rodrigues
Acadêmica do Curso de Desenho Industrial
Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
Contato: nicolvrodrigues@hotmail.com

Liderança: uma conduta que faz a diferença. Parte 02

No último post, LIDERANÇA: uma conduta que faz a diferença. Parte 1, estávamos falando das teorias propostas por Chiavenato (2003), e, dando continuidade ao assunto, vamos falar sobre a terceira teoria. Segundo o Sebrae e o Instituto Brasileiro de Coaching existem 3 tipos de liderança: Autocrática, Liberal e Democrática. Cada tipo de liderança influência no comportamento e desenvolvimento de atividades dos profissionais.

Liderança Autocrática:

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O líder autocrático é dominador, emite ordens e espera que seus subordinados o sigam cegamente sem questionamentos, por ser temido pelo grupo, os mesmos trabalham apenas na presença do líder. Os grupos que trabalham dentro de uma liderança autocrática, possuem maior volume de trabalho, porém o ambiente em que se encontram é cheio de agressividade, estresse e tensão.

O fato da liderança ser controladora em excesso desmotiva as pessoas que estão trabalhando na equipe, muitas vezes o líder passa a ser visto como “mandão” estimulando nas pessoas um certo ressentimento em virtude das atitudes, outro ponto a se destacar é a falta de soluções criativas para os problemas, pois só uma pessoa tem essa liberdade de criação, correndo o risco de decair a produtividade na ausência do líder.

Entretanto existem alguns benefícios da liderança autocrática, como por exemplo, decisões tomadas com mais facilidade e rapidez, o estresse é reduzido, pois todo o controle está no líder, processos de trabalho mais rápidos e funcionais (menor número de pessoas) e também os membros da equipe se qualificam de forma que conseguem executar com facilidade diferentes tarefas.

Este tipo de liderança deve ser aplicado em apenas alguns casos, vejamos:

– Empresas com uma quantidade grande de pessoas;

– Locais onde não é espaço para erros e com prazos a cumprir;

– Com pessoas pouco experientes ou sem familiaridade com certo tipo de trabalho.

Alguns locais/ setores onde frequentemente essa aplicação se ajusta bem é na área militar, na construção civil e indústrias.

A liderança autocrática funciona desde que se respeite algumas regras para o bom convívio e desempenho da equipe, por exemplo, você sendo o líder respeite o grupo, deixe bem claro as regras e tarefas, seja consistente em suas atitudes e palavras.

Liderança Liberal:

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Também chamada de “Laissez-Faire”, que vem do francês, significa “deixai fazer, deixai ir, deixai passar“, neste tipo de liderança todos os componentes do grupo têm liberdade para tomar decisões, sejam elas individuais ou em grupo, lembrando que a liderança liberal enfatiza somente o grupo, o líder raramente se envolve em discussões ou tomada de decisões, entendendo que todos do grupo possuem maturidade e responsabilidade para fazer o trabalho fluir.

É possível perceber que com essa liderança as pessoas se sentem mais autoconfiantes e motivadas, o processo de avaliação do grupo é bem mais fácil e simples, é possível perceber o nível de maturidade e responsabilidade de todos. Em contrapartida, a falta de confiança e respeito ao líder é quase nula, isso acontece porque todo o grupo trabalha de forma independente e mais livre então aprendem a não esperar nada do líder, existem fortes sinais de individualismo, desagregação das pessoas, cada uma tende a se isolar para fazer o seu trabalho, insatisfação e agressividade.

Este, portanto, não é um estilo de liderança aconselhável, a figura do líder é importante para melhor gestão do trabalho, para que haja respeito dentro do ambiente de trabalho e é importante uma voz ativa para resolver conflitos e determinar funções.

Liderança Democrática:

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Na liderança democrática o líder age como um “guia”, ele está presente para auxiliar, para ajudar na tomada de decisões, dar sugestões e coordenar as atividades.

Os grupos que são submetidos a liderança democrática apresentam um clima de satisfação, o volume e a qualidade de trabalho é muito maior, possuem mais comprometimento e responsabilidade por parte de todos. O líder está ali para ouvir, aceitar e responder críticas, analisar as necessidades do grupo, são motivadores e possuem a confiança de todos com base nas suas forças e na capacidade de realizar planos de grupo, que posteriormente são discutidos sob sua liderança e planejamento estratégico.

A desvantagem nesta liderança é a exigência de mais tempo para adotarem decisões, para analisar e deliberar entre o grupo, contudo a capacidade de realização deles é enorme, em virtude da boa administração do tempo, do bom tratamento entre os colegas, sua grande capacidade para o diálogo. Eles são sonhadores, porém não existe quase possibilidade de erro em seu trabalho, eles projetam em bases e dados reais, planejamento adequado e flexível, conseguem um custo mínimo e máximo.
 


Nicolly Voigt Rodrigues
Acadêmica do Curso de Desenho Industrial
Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil
Contato: nicolvrodrigues@hotmail.com

Atuando profissionalmente na indústria criativa com produção de conteúdo próprio

A indústria criativa pode ser vista hoje ganhando cada vez mais evidência e relevância na economia. Segundo o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, estima-se que em 10 anos houve um crescimento de 90% dos empregos formais para profissionais criativos, principalmente nas áreas de tecnologia, consumo, mídias e cultura, gerando um PIB anual equivalente a R$126 bilhões. Os serviços desempenhados se enquadram nas aspirações da geração dos Millennials, relacionadas com uma visão de mundo em que o trabalho pode ser uma “atividade pela qual a pessoa utiliza seu corpo e mente na realização de uma obra e dela extrai significado”.

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Imagem: Ilustração da capa do Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil.

Uma das possibilidades de atuação dentro da indústria criativa diz respeito à produção de conteúdo, tanto para setores de entretenimento, quanto para setores de jornalismo e educativos. Atuando nestes setores podem ser incluídos profissionais de comunicação social, jornalismo, design, música, letras, artes visuais, artes cênicas, entre outros.

Além de meios tradicionais de veiculação de conteúdo, como a televisão, o rádio, os livros, o cinema e o teatro, há também as novas formas de publicação que surgiram nas últimas décadas, como os sites de vídeos, os blogs, os livros digitais, os podcasts e as mídias sociais. Assim, em conjunto com o barateamento dos equipamentos de produção, hoje é possível uma forma mais democrática de publicação, em que praticamente qualquer um pode divulgar seu próprio conteúdo.

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